Nova Zelândia – comparável quando é conveniente

 

A comparação com o porto espacial de Mahia, na Nova Zelândia, operado pela Rocket Lab e o seu veículo Electron, já foi efetuada diversas vezes por várias fontes – engenheiros de tudo-e-mais-alguma-coisa, recém-fãs da Ciência e Tecnologia, e, inclusivamente, o missionário para o Espaço, Luís Santos. No debate do passado dia 27 de Novembro, o programa Meias Palavras da RTP-Açores, ficámos a saber que afinal não tinha nada a haver, mesmo sendo muito semelhantes os veículos que se pretende lançar.

Estes documentos são de facto incómodos pelo paralelismo facilmente estabelecido e pela exposição de critérios de segurança à medida das necessidades.

Onde é que está o aglomerado populacional mais próximo? É ali o limite do perímetro de segurança!

Que estratégia genial! Ninguém vai desconfiar, são os engenheiros que o dizem!

Falando de coisas mais sérias, é relevante analisar outras questões expostas nos documentos sobre as quais deve haver reflexão e preocupação:

  • Janela de lançamentos: definiram um período de 9 dias consecutivos em que podia ocorrer o lançamento. Assim que o lançassem, a vida voltava ao normal. Em Santa Maria o tempo está sempre bom, um vento encanado aqui e ali, nada de especial. Vão ser todos lançados à primeira;
  • Existe um local apropriado para o público ver o lançamento, é em Nuhaka, a mais de 20km em linha recta até ao sítio do lançamento.
  • A área restrita ao tráfego aéreo está ativa por um período de 5 horas. Estão a pensar no Satinha que pode não haver naqueles dias? E se houver necessidade de uma evacuação? Páram o lançamento? Já se sabe.
  • Bom tempo garantido, é no Verão (às vezes). Vamos ter dias sem barco a ir/vir de São Miguel, sem carga a chegar, sem podermos usufruir do nosso mar em mergulho ou pesca, de forma lúdica ou profissional. E os pescadores, como vai ser? Vão todos trabalhar nos foguetões.

Um porto espacial é um constrangimento incomensurável para uma ilha de 97 Km². Querem limitar ainda mais o nosso espaço? Crescemos na insularidade, estamos habituados a não ter tudo quanto e quando queremos, a aceitar a soberania da Natureza sobre o nosso modo de vida, mas não podemos aceitar que nos isolem na nossa Ilha!

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