A palavra mais usada pelos marienses é…

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Oportunidade? Sim, esta polémica poderá representar um ponto de viragem, o momento decisivo para os marienses tomarem as rédeas do seu destino, arregaçarem as mangas na construção de um futuro próspero, deixarem de acreditar em contos de ficção científica e trabalhar em conjunto numa estratégia sustentável para a Ilha. Vamos mesmo aceitar que a decisão não passa por nós e que somos meros peões nesta matéria? Que temos que estar quietos e calados na esperança de conseguir algumas migalhas de um bolo de centenas de milhões de euros?

Neste artigo que resulta de uma estreita colaboração entre o Expresso e conhecidos apologistas do projeto, que abrange inclusivamente o registo fotográfico, somos levados num conto de fadas baseado em fé, esperança e caridade. Não há qualquer menção à realidade atual de Santa Maria, à potencial (para ser simpático) ameaça ao turismo de natureza, de mergulho, à pesca, à qualidade de vida dos marienses e à sua autonomia na gestão do seu território.

Santa Maria, nos Açores, foi escolhida para receber a primeira base espacial portuguesa

Santa Maria foi escolhida, mas Santa Maria não escolheu. Aí está uma questão primordial que é omitida, e inclusivamente oprimida – o direito de escolha aos únicos que sofreriam na pele as consequências negativas deste projeto.

É um vasto prado verde que termina numa falésia sobre o mar, numa zona pouco povoada do Sul de Santa Maria (…). As primeiras habitações avistam-se a cerca de 1300 metros de distância, antes do limite do perímetro de segurança de 750 a 1000 metros do futuro porto espacial.

Sobre a zona pouco povoada, que o missionário do Espaço Luís Santos diz não ser critério para instalação de portos espaciais, temos que agradecer às políticas de Gestão e Ordenamento do Território que assim o permitiram. Ficamos a saber o real  potencial das reservas ambientais – guardar terreno livre para a implantação de portos espaciais.
Sobre a caracterização da área, podemos também alvitrar que Virgílio Azevedo não esteve sequer na área, se estivesse, teria visto as casas que se encontram a menos de 1Km. Omite também a existência do Paleoparque, do geossítio Ribeira do Maloás, e da zona de conservação de habitats e espécies SMA05. Se isto é trabalho jornalístico de referência, receio pela atual credibilidade do Expresso. Por outro lado, recordo as notícias da emergente situação financeira dos órgãos de comunicação social e da necessidade de intervenção do Estado e observo que, do lado do Expresso, já está em curso uma operação de charme.

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