O que dizem os representantes das empresas

Finalmente podemos ver e ouvir sobre o já famoso Atlantic International Satellite Launch Programme sem o “filtro” história da Disney com o qual temos vindo a ser presenteados pela imprensa nacional. Se do evento Portugal Space 2030 promovido pela ESA BIC (Business Incubation Centre) amplamente divulgado on-line (com direito a publicidade paga no Facebook e tudo), a imprensa apenas espremeu o anúncio da Portugal Space – agência espacial portuguesa, talvez não tenham estado atentos ao nível de amadorismo e falta de preparação revelado neste vídeo a partir do minuto 35′ (pode ver-se anteriormente a intervenção de Gui Menezes, mas ignoremos momentos ainda mais constrangedores e passemos diretamente ao que interessa):

O painel

  • Chris Larmour, CEO da Orbex
  • Tiago Rebelo, da CEiiA
  • Miguel Yagues, representando a área legal da PLD Space
  • Joern Spurmann, OHB/MT Aerospace, ou mais precisamente, representando a Rocket Factory Augsburg

Chris Larmour representa o consórcio Azul, nomeadamente enquanto CEO da Orbex Space que irá desenvolver o lançador mágico Prime, super ecológico e amigo do ambiente, feito à medida para Malbusca, e no qual se assentou a viabilidade do projeto do porto espacial efetuada pela Deimos Engenharia.

Tiago Rebelo, pela CEiiA e, no fundo, representando toda a indústria aeroespacial portuguesa cujo projeto visa beneficiar e potenciar. A CEiiA (e a Omnidea) integram o consórcio liderado pela Rocket Factory Augsburg.

Miguel Yagues, representante da área Legal and Government Affairs da PLD Space, outro consórcio que passou à fase seguinte.

Joern Spurmann, pela startup Rocket Factory Augsburg criada a meio deste ano pela OHB/MT Aerospace cuja finalidade é desenvolver um micro-lançador que possa ser lançado a partir de Malbusca (ou outro local). Gostaria de adicionar link para o site dessa empresa, mas ainda não existe…

Recomenda-se a total visualização deste “debate”, em especial o embaraço provocado pela pergunta efetuada à 01h 03′, de qualquer modo, faz-se aqui uma espécie de resumo do conjunto de “pérolas”:

Pergunta de Luís Santos sobre a visão que cada um dos intervenientes tem sobre o projeto em causa:

  • 37′ – Joern Spurmann diz que a ideia é ter um open spaceport, a longo prazo deve ter o máximo de utilização possível, por isso deve procurar atrair-se múltiplas empresas de lançadores. Menciona também a perspetiva competitiva que advém de um baixo investimento inicial.
  • 40′ –  Chris Larmour apresenta-se enquanto fundador e principal accionista da empresa Orbex Space, que não quer viver eternamente de fundos da ESA. Já criou e vendeu 6 startups de índole tecnológica. Não tem qualquer background ou gosto pelo Espaço, é apenas uma tecnologia. A proposta da Orbex inclui já um completo ecossistema de tecnologias do Espaço, incluindo 6 empresas com lançadores e 7 empresas de satélites.
  • 47′ – Miguel Yagues, da PLD Space, destaca a grande vontade política por detrás do projeto, ficando surpreso como em apenas um ano se consegue criar e aprovar uma Lei do Espaço
  • 50′ – Tiago Rebelo retrata-se como representante da indústria espacial portuguesa. Diz que a CEiiA não tem nem quer ter um lançador. Os Açores e Santa Maria são uma jóia que Portugal deve poder explorar quer do ponto de vista do Oceano, quer do ponto de vista do Espaço. Portugal não lucrará só lançando, só beneficiará com a criação do ecossistema inteiro, e eventualmente no fabrico de satélites. O mercado do Espaço é completamente desconhecido para a CEiiA, que até agora só se dedicou à engenharia aplicada aos setores aeronáutico e automóvel. Sobre a Omnidea, diz ter um projeto de building blocks para tecnologia de microlaunching que começou há 2 meses com o patrocínio da ESA. Referindo-se aos portugueses: “we don’t want to be seen as the guys who gave up the land, but as the guys who partnered with major companies worldwide and took a profit of this initiative”.

Sobre a pergunta se Portugal pode ser competitivo para fazer lançamento de minissatélites:

  • 59′ – Chris Larmour diz que existe fricção entre a ESA e a União Europeia pelos interesses nacionais. Fala de uma nação (qual?) que está a ignorar toda a fase de regulamentação para construção de um spaceport e simplesmente a dar permissão para que façam o que entenderem. Esperar dois anos por aprovação de legislação sobre o Espaço pode ser uma grande desvantagem.
  • 01h 00′ – Tiago Rebelo diz que ninguém sabe o que vai acontecer. Existem cerca de 100 projetos para microlançadores e não se sabe os que vão vingar. A grande novidade do New Space é que os privados estão agora a assumir os riscos de investir.
  • 01h 01′ – Joern Spurmann diz que adora a sugestão que Chris Larmour fez sobre Portugal avançar com uma regulamentação que a nível ambiental torne o projeto mais competitivo e comercial (em relação à Escócia). Espera que aconteça, é o primeiro querer entrar nesse tipo de negócio.

A pergunta da plateia que enervou Luís Santos e suscitou embaraço entre os membros do painel

  • 01h 04′ – Especialista em Astrofísica e space risks quer fazer a pergunta a Luís Santos, que logo recusa responder. Está a favor do projeto em Santa Maria, mas pergunta se há dinheiro para haver condições de trabalho para o que se pretende fazer, e como estamos preparados para envolver a comunidade local. Precisamos desesperadamente de investimento; quem tem dinheiro pode chegar, fazer lançamentos e ir-se embora. O mercado do Espaço é muito volátil, é preciso dinheiro, é preciso fazer seguros (o que não é fácil). Insiste que é preciso muito dinheiro durante muito tempo, e não lhe parece que a ESA queira fazer investimento neste tipo de plano de negócio. A pergunta que deixa é: qual é o vosso plano de negócio? Expliquem-nos.
  • 01h 07′ – Luís Santos passa a palavra a Chris Larmour provocando risos de embaraço, este diz que devia ser Luís Santos a responder, mas responde por ele (!). Chris Larmour fala das questões ambientais da Escócia e diz que tem falado individualmente com a população local. Refere ameaças de morte vindas dos Açores (e quem conhece os Açores e os açorianos sabe que isto não pode ser verdade) e como as colocam num placard. São segurados pela Global Aerospace que segura os lançamentos do Ariane5. Queixa-se da quantidade de burocracia, e o que falta é ritmo, velocidade, e a ESA não está a reagir a isso. É preciso capital privado e vontade de correr riscos. É preciso andar mais rápido, e isso é uma mensagem para Luís Santos.
  • 01h 10′ – Joern Spurmann diz que temos que fazer como a SpaceX, vêem a coisa comercialmente, não querem saber de nada, querem é por coisas no Espaço, refere inclusivamente que acha que o primeiro lançamento da Falcon Heavy nem sequer estava segurado. Ter seguro não deve ser visto como obrigatório, o risco pode ser assumido comercialmente, responsabilidade é outra conversa. O impacto ambiental nos Açores é considerável, por isso já estão a analisar essa questão localmente. Queixa-se também da quantidade de papelada que é necessária e do papel da ESA nesse capítulo. “Temos que deixar de fazer tudo tão certinho. Devemos ver o exemplo da Rocket Lab na Nova Zelândia”. Se as expressões de interesse do concurso requisitassem 100% de investimento, duvida que tivessem 14 propostas.
  • 01h 14′ – Miguel Yagues fala de um processo de certificação pela qual a PLD Space está a passar e como é importante para eles cumprirem com a regulamentação. Diz também que quando o governo regional e local definirem os critérios de segurança para pessoas e para o ambiente, certamente que os cumprirão.
  • 01h 15′ – Tiago Rebelo diz que na 2ª fase é que saberemos a resposta a essas questões. Os governos não devem definir os critérios, mas sim perguntar aos interessados o que precisam para que o negócio tenha sucesso.

A senhora da plateia quis insistir, e Luís Santos remeteu-a para o final da sessão passando a falar em Português.

Bruno Carvalho pergunta sobre quantos lançamentos esperam fazer dos Açores, especificamente a Chris Larmour da Orbex que irá à partida também lançar da Escócia:

  • 01h 23′ – Chris Larmour diz que conseguir um lançamento por mês já é bom, e por uma questão de mitigação de risco seria bom ter 3 sítios para lançar;
  • 01h 24′ – Joern Spurrman pensa em 20 lançamentos por ano.
  • 01h 25′ – Miguel Yagues fala em 15 lançamentos por ano e em usar ambos os spaceports dos Açores e da Guiana Francesa

Considerações finais

O pouco à-vontade de Luís Santos é bem visível, com este tipo de público já não fala como o Sr. Engenheiro que compara um lançamento de um foguetão ao “bico do fogão lá de casa”, como fez na sessão de esclarecimentos em Santa Maria em Setembro. É quase constrangedor o tom jocoso a disfarçar o embaraço perante perguntas e questões concretas.

Apresentados os intervenientes, delega-se aos leitores a tarefa de avaliar (a falta de) seriedade e de idoneidade que transparece deste vídeo.

3 pensamentos sobre “O que dizem os representantes das empresas

  1. John Williams, Chairman PTM

    Your article says, in translation “Chris Larmour talks about environmental issues in Scotland and says he has spoken to the local people individually.”
    Larmour may have spoken to a carefully preselected few of the “locals” here in Melness, Scotland, the subset of crofters wishing to lease land to HIE to build a spaceport on the Mhoine probably. He certainly has not spoken to a representative section of the population, nor to “Protect-the-Mhoine”, PTM. We who live here have never ever seen this man.

    1. Hello John, thank you for giving feedback on what’s going on in Scotland. About what Chris Larmour said, you can hear it by yourself on the video, and he actually said he’s going for lunch with every local person there. He also mentions receiving frequent death threats from both the Azores and Scotland people. I seriously doubt that, he doesn’t seem like someone that can be trusted on. Keep commenting here and if you wish to publish in this website some information about the project in the Mhoine, please reach me by e-mail on santaespacomaria@gmail.com so we can set it up.

      1. John Williams, Chairman, PTM

        Thank you for your response to my email.

        I point out that the founding statement of the “Protect-the-Mhoine” group, PTM, is to protect the Mhoine by peaceful & legal means. Larmour should take comfort from that. He may have some additional protection as many of our members are practicing Christians for whom the commandment “Thou shalt not kill” still applies – even in removing English & others seeming to seek to wreck Scotland for profit.

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