A insustentável irrelevância da Portugal Space e AIRCenter

É este visual provérbio popular que me ocorre ao recordar o recente anúncio da criação da agência espacial portuguesa, ou como originalmente lhe chamaram, a Portugal Space. Notícia do Público a 21 de Dezembro.

A Agência Espacial Portuguesa vai ser legalmente criada no início do próximo ano e terá sede nos Açores, na ilha de Santa Maria, onde se pretende instalar uma base para lançar pequenos satélites.

PÁRA TUDO! A sede vai ser em Santa Maria? Aí estão afinal as contrapartidas para a ilha que terá que levar com o porto espacial. De facto, como soundbyte tem muito mérito, contudo é inevitável a desilusão quando se troca por miúdos.

Em 2019, será escolhido o seu director por concurso internacional, tendo neste ano inicial de actividade dez funcionários no total (entre 2022 e 2024 serão à volta de 14).

Ora considerando o quão imberbe Portugal é relativamente ao Espaço, está visto que o concurso internacional vai ter como vencedor um estrangeiro. Tipicamente, os estrangeiros fazem-se acompanhar de outros assessores estrangeiros. Quanto postos de trabalho dos ridículos 14 serão para portugueses, quantos para açorianos, quantos para marienses? Alguém quer avançar como uma estimativa? Entre 2 e 4? Está garantida a Ilha da Ciência e Tecnologia dos postos de trabalho de salário mínimo, mas altamente especializados!

Claro que há quem encara com naturalidade abdicar de parte da ilha e da sua total autonomia a troco de um mero posto de trabalho. Quem acha que vale a pena. E o mais triste é constatar que convictamente enterram a auto-estima da população mariense e detraem sem qualquer pudor a força e o potencial da ilha de Santa Maria. Submetem-se sem hesitar aos interesses dos maiores e dizem que temos que aceitar o nosso destino, porque sozinhos não vamos lá. Que falta de sentido de serviço público!

É também oportuno mencionar o cepticismo manifestado no artigo de Hugo Séneca da Exame Informática com o curioso título “Heitor, we have a problem” relativamente à probabilidade de sucesso da Portugal Space. Falta-lhe acrescentar um importante pormenor: em ano de eleições, com os professores, os enfermeiros, os estivadores e outras grandes classes com reivindicações, o governo nacional vai mobilizar milhões para investir no Espaço? Isso é que é pôr lenha na fogueira! Ninguém acompanha aquele ministro porque ninguém quer dar a cara por aquela fantasia! Portugal prestes a entrar no estrito reduto dos países com acesso ao Espaço? E nem o Marcelo faz um telefonema??

Não ficamos por aqui na categoria “A Montanha Pariu um Rato” – até porque prevejo mais notícias deste género muito em breve.

No Diário Insular de 27 de Dezembro de 2018, fomos surpreendidos com mais um rato:

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, revelou que o Centro de Investigação Internacional do Atlântico (AIR Center), será dirigido pelo espanhol José Joaquín Brito, que lidera o Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação da Plataforma Oceânica das Ilhas Canárias.

Ora o diretor será um espanhol, promete!

Por seu turno, o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, referiu, na mesma altura, que “o quartel-general do AIR Center não vai ter muita gente. Vai ter pessoas para programar as atividades, marcar reuniões e a facilitar a realização de contactos”.

Ora uma meia dúzia de administrativos filhos de militantes do PS, que impactante! Depois de ter cedido um “supercomputador” de dados pela Universidade do Texas (EUA) à Universidade do Minho no âmbito do AIRCenter, única ação ainda anunciada, está à vista o flop que constitui o tão propagandeado AIR Center.

Um pensamento sobre “A insustentável irrelevância da Portugal Space e AIRCenter

  1. Pingback: A dissipação do “Centro do Ar” – Santa Espaço Maria

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