Columbus Trail

Decorre neste preciso momento o Columbus Trail 2019 na ilha de Santa Maria. Quem cá vive, já sente há umas semanas “o bichinho do trail”, ao ver dezenas de pessoas a correr ao fim do dia, especialmente entre o Aeroporto e a Vila.

O início

Este evento iniciou-se timidamente em 2016, em simultâneo com outros eventos de trail running no resto do Arquipélago, e não só “sobreviveu”, como contagiou a Ilha onde, para além deste, vão ocorrendo outras corridas de trail durante o ano organizadas por diversas entidades de Santa Maria. Esta é a edição que concentra mais participantes, num total de 250, “denotando-se assim a crescente adesão o que torna toda a organização da prova muito mais exigente” – noticia com orgulho a Câmara Municipal de Vila do Porto. De facto, a iniciativa de 5 jovens marienses – o Grande Trilho – proporcionou a criação da Grande Rota de Santa Maria, que, numa total distância de 78km dividida em 4 etapas, dá a volta a Ilha “levando-o a visitar locais de incrível beleza cénica, didática e científica”, parafraseando os jovens do Grande de Trilho. Este percurso coincide com a rota escolhida para o Columbus Grand Trail que mais uma vez acontece em Santa Maria.

A Grande Rota de Santa Maria

Grande Rota e o local de lançamento
O percurso do Columbus Grande Trail e o local de lançamento

Este percurso constituiu a primeira Grande Rota circular a ser criada na Região tendo sido anunciada em Maio de 2015 por Vítor Fraga, o então Secretário-Regional do Turismo que, simultaneamente, anuncia o evento de trail running Columbus Trail que “decorrerá em plena época baixa e tem como objetivo contrariar a sazonalidade do turismo nos Açores e, ao mesmo tempo, promover a oferta da ilha e da região.”

De facto, assim tem sido Sr. Vítor Fraga, atual presidente da SDEA (Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores) e membro da Comissão Internacional de Alto Nível que irá avaliar os interessados em construir o porto espacial em Malbusca. O Columbus Trail dinamiza a Ilha na época baixa enchendo os alojamentos locais e hotéis, promove-se num mercado adepto do turismo de Natureza que, habitualmente, tem os bolsos cheios. Para além disso, largas dezenas de turistas vêm expressamente a Santa Maria durante todo o ano para percorrer a Grande Rota e adoram a ilha. Este facto é, naturalmente, desconhecido para quem apenas percorre o eixo Vila-Anjos-Praia-São Lourenço e a quem o turismo perturba na época de veraneio nas suas casas de férias.

O futuro do Columbus Trail

A quem interessará conhecer em trail a Ilha de Santa Maria quando uma das suas zonas protegidas estiver betonada e industrializada? Que imagem será a de Santa Maria para os praticantes deste desporto? Quem quererá voltar?

Não é à toa que a Grande Rota atravessa a zona pretendida para o lançamento de foguetões – afinal passa pela Ponta de Malbusca, atravessa o Barreiro da Piedade, sobe-se até à Vigia da Baleia (ponto mais elevado usado antigamente para a baleação) e desce-se em seguida passando pela Ribeira do Maloás, também conhecida por Calçada do Gigante. Esta última é “só” a imagem de proa do Columbus Trail, de Santa Maria, e dos diversos fenómenos geológicos dos Açores.

Quando se assume uma convivência saudável entre turismo de Natureza e a operação de um porto espacial numa ilha de 97Km2, entra-se no domínio da desonestidade intelectual. Obviamente, todo este mercado fugirá para as outras ilhas, remetendo Santa Maria para o papel de “patinho feio” dos Açores, que nunca se transformará em cisne como conta a célebre fábula infantil.

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