Spaceports – os inegáveis riscos

Perante a negação descarada dos riscos adjacentes ao lançamento de veículos espaciais quer por Gui Menezes, Secretário Regional dos Foguetões, quer por Luís Santos na sua actual posição de missionário para o Espaço, torna-se particularmente pertinente e oportuno o anúncio da UK Space Agency de adjudicar a 3 empresas o aprofundamento do plano de negócios e de operação comercial de um spaceport. É que é com esse anúncio que se divulga o relatório realizado pela Health and Safety Laboratory a pedido da UK Space Agency com o sugestivo título Spaceports – keeping people safe.

Primeiro que tudo, há que contextualizar e recordar esta intervenção de Luís Santos no debate sobre o porto espacial no programa Meias Palavras da RTP Açores.

Excerto retirado do programa “Sem Meias Palavras” a 26 de Novembro de 2018

Ora refere o Sr. Engenheiro que a instalação de portos espaciais em zonas desabitadas ou com baixa densidade populacional é uma mera coincidência e não constitui por isso um requisito. Esta é apenas uma das muitas inverdades por si ditas e que devemos por isso desmistificar. Vejamos o que foi saindo inicialmente na imprensa:

Sobre a eventual escolha de Santa Maria para instalar uma base espacial, o responsável da Deimos também parece estar de acordo. “Os estudos apontam para Santa Maria como local preferencial: tem menor densidade populacional (…). Tem “só” cerca de cinco mil habitantes, mas esse lado não deve ser desprezado, alerta.

Portugal ensaia altos voos nos Açores, Público, 20 de Abril de 2017

Efectivamente foi entretanto desprezado, em especial por aqueles que foram eleitos para nos defenderem.

Tem infraestruturas para um porto espacial; é uma região de baixa densidade populacional e rodeada por uma área de oceano de 1500 quilómetros; Brito e Abreu adianta que há fundos da UE e majorados por envolver uma região ultraperiférica, que tem “uma política agressiva para atração de investimentos” (benefícios fiscais, ceder terrenos).

Santa Maria, renascer como base espacial da União Europeia, DN, 20 de Outubro de 2016

Deveras agressiva: benefícios fiscais, ceder terrenos, atropelar a sua própria legislação de proteção ambiental, ter uma postura de vassalagem perante o governo da República, and so on, and so on. Enfim, o sítio ideal para plantar as ervas daninhas que ninguém quer no seu quintal.

Notícias antigas, dirão os leitores. É verdade, quando o assunto começou a ficar a sério, o requisito da baixa densidade populacional deixou de ser mencionado, pois o processo de lavagem cerebral tinha que ser iniciado quanto antes. Contudo, nada como uma notícia sobre o AISLP (Atlantic International Satellite Programme) a partir de Macau, para se falar sobre o assunto sem filtro.

It is accepted that the project may take many years or even decades to break-even (…). The Portuguese government has long wanted to develop a spaceport, with Santa Maria at the top of its list of suitable locations. (…) Piero Messina, a senior officer at the ESA’s strategy department in Paris, said that the island was ideal because its remoteness from more heavily populated areas provides a high degree of security. Launch sites (…) must also be big enough that an explosion would not affect population centres. More remote locations also avoid noise, pollution and radio-electric interference in urban areas.

Lisbon targets the “New Space” economy, Macau Hub, 15 de Fevereiro de 2019

Resumindo e concluindo, em caso de acidente, não morrem tantos. É perante este tipo de raciocínio que se vai avançando com o projeto iludindo os marienses quanto aos seus riscos e desprotegendo-os totalmente, inclusivé na legislação para regulamentação de atividades espaciais.

Vejamos agora alguns parágrafos interessantes que se podem retirar do relatório Spaceports – keeping people safe sobre os riscos de um spaceport.

There are several distinct ways in which launch activities at a spaceport could pose a risk to the public. The most obvious risk to people is from an incident at the launch, or during spacecraft overflight, or during the landing for a reusable spacecraft. This is where the spacecraft, or debris from the spacecraft, could fall onto the ground causing damage, or where debris explodes from a crash causing damage.

Other risks that might be less immediately obvious would be from the ground-based operations at the spaceport, in particular, risks relating to the storage and use of hazardous substances used as fuels in the spacecraft.

É por isso que é óbvio requisito a baixa densidade populacional e um alargado perímetro de segurança.

No caso de Santa Maria, temos ainda o “bónus” de ter este tipo de substâncias (combustíveis e carburantes) a atravessar metade da ilha, desde o porto até Malbusca, por curvas e contra-curvas, como se pode ver na apresentação da Deimos.

Nada temos a temer contudo, o Sr. Engenheiro prometeu, na sessão de esclarecimento em Setembro, vir morar para Santa Maria, com os seus dois filhos, se o projeto se concretizar efectivamente. Saberá ele que já há casas à venda em Malbusca? Estou certo que conseguirá um bom negócio.

2 pensamentos sobre “Spaceports – os inegáveis riscos

  1. Pucheu Denise

    Tout cela n’ est qu’un question d’argent .Peut de personnes pour contester le projet l’environnement détruit et l’équilivre de l’îLe donner du rêve qui deviendra un cauchemar pour les habitants. Bonjour

  2. J. V.

    Já há muitos anos que eu digo que existem inegáveis riscos em todos os aeroportois das ilhas, desde possibilidade de acidentes até ao armazenamento de combustíveis e outros produtos tóxicos. Era fechá-los todos já amanhã antes que aconteça alguma desgraça.

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