Cronologia

O estudo confidencial da Deimos Engenharia

Mais uma vez, a imprensa nacional dá-nos notícias do avanço deste projeto, nomeadamente pela notícia do Público de 21 de Julho de 2018. Um novo relatório resultante de um concurso lançado pela ESA para análise da viabilidade técnico-económica de pequenos foguetões na Europa. Foi elaborado pela empresa portuguesa Deimos Engenharia (grupo Elecnor Deimos), em parceria com a Orbex Space, empresa sediada no Reino Unido que desenvolve o foguetão Prime e propõe já o seu lançamento a partir dos Açores. Foi portanto o estudo de uma empresa privada com grande interesse na matéria a avaliar a viabilidade de lançamento de satélites a partir do lugar de Malbusca.

comparativo
Comparativo de diversos veículos espaciais, incluindo o projetado Prime da Orbex

As conclusões do estudo constam de um sumário-executivo do relatório, que se pode consultar só em papel nos escritórios em Lisboa da Deimos Engenharia, sendo que o relatório em si, de mais de 1000 páginas, é confidencial e foi entregue à ESA. Do mesmo constará uma análise de segurança e impacto ambiental em que se refere que, no pior dos cenários, “não haveria qualquer impacto na população local, que está concentrada a 1,3 quilómetros do local candidato a lançamentos”.

No estudo da Deimos “considerou-se uma variedade de aspetos ambientais, como as espécies protegidas, a contaminação, a água ou áreas geológicas protegidas e todas as conclusões foram positivas”, contudo, sendo o relatório confidencial, não é possível confirmar esta informação.

Quem quer criar e explorar um porto espacial nos Açores?

Este é o título da notícia do Público que a 24 de Setembro de 2018 informa da abertura de concurso internacional para a criação de um porto espacial na ilha de Santa Maria. Este artigo jornalístico é o primeira que aparenta ter um tom mais crítico e independente do que os demais que foram aparecendo: “Talvez a população de Santa Maria venha a acolher este projeto sem protestos nem receios sobre os eventuais impactos ambientais. (…) Talvez o Governo invista algumas dezenas de milhões de euros para incentivar os que estão a pensar em aceitar este negócio e convencer os que terão de conviver com ele.” Andrea Cunha Freitas do Público não mais voltou a escrever sobre este assunto, sendo as notícias subsequentes assinadas por Teresa Firmino.

O concurso internacional, pomposamente designado de “Call for Interest”, foi devidamente anunciado na página do Governo Português, bem como foram divulgados todos os documentos que especificam os diversos parâmetros a serem abordados nas propostas e pode ser consultado na secção “Institucional“.

A Comissão Internacional de Alto Nível criada para avaliação das propostas será coordenada por Jean Jacques Dordain (antigo diretor-geral da ESA e presidente do Conselho Consultivo da Orbex Space, parceira da Deimos Engenharia a quem foi encomendado o segundo estudo de viabilidade técnico-financeira) que acompanha este processo, pelo menos, desde 2016. Adicionalmente, encontra-se no painel Brian Tapley, fundador do Centro de Estudos Espaciais da Universidade do Texas em Austin, a mesma entidade que fez o primeiro estudo para a criação de uma base de lançamento de satélites nos Açores.

Conforme agendado, o ministro Manuel Heitor apresentou em Bremen no Congresso Internacional de Astronáutica o concurso público para a concepção, instalação e operação de uma base espacial em Malbusca. Dessa apresentação, parece já haver o interesse de 11 empresas e da agência espacial da Índia, conforme noticia o Expresso. Ficam confirmados alguns interessados conforme esperado, dado o seu envolvimento em todo o processo: “Os interessados incluem algumas das maiores empresas espaciais do mundo como a OHB, a maior da Alemanha (1000 milhões de euros de vendas anuais) e a americana Northrop Grumman. As portuguesas Lusospace, CEIIA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto), Omnidea/RTG, Deimos Engenharia (do grupo espanhol Elecnor Deimos) e Edisoft (do grupo francês Thales) também vão concorrer, tal como a britânica Orbex (onde a Deimos é um dos acionistas) a italiana Avio e a espanhola PLD.”